Feliz no simples: reflexões sobre encontrar felicidade no ordinário
Como ser feliz no simples?
Essa frase tem viralizado bastante nas redes sociais nos últimos tempos e eu acredito que isso reflete o desejo profundo das pessoas em se sentir satisfeitas com o simples em era da assolada pela insatisfação.
Queremos sempre mais e mais e a medida que conseguimos nunca parece o suficiente.
Você se identifica ou conhece alguém assim?
Ser feliz no simples, então, é a dádiva de conseguir se sentir satisfeita com as pequenas coisas, com os pequenos progressos do dia a dia.
É conseguir comtemplar o extradiornário de uma rotina simples. Sem dúvida esse é um dos estados mentais que mais nos faz prosperar.
Mas como conseguir tal proeza? Será um dom de poucos?
Eu como Psicóloga já vi muitas pessoas falando que tem tudo, mas mesmo assim não consiguem se sentir satisfeitas. Porque isso acontece?
Desde já, gostaria de dizer que não é um dom!
Mas eu deixa eu te explicar algo que eu descobri estudando Neurociências…
(Se você já gostou desse tema, comenta aqui em baixo para eu saber)
Muitas vezes associamos a felicidade à ausência de dor, dificuldades ou frustrações. Assim, passamos a vida buscando mais prazer, mais estímulos, mais experiências. Mas existe um paradoxo curioso nisso tudo:
Uma vida repleta de prazeres leva ao desprazer
A neurociência prova isso: no cérebro, a região associada ao prazer também está ligada à dor – o motivo eu não sei. É como se funcionasse como uma gangorra. Quando nos expomos excessivamente a estímulos prazerosos, a balança tende a oscilar para o outro lado — trazendo vazio, cansaço emocional ou uma estranha sensação de insatisfação.

E hoje em dia, o que não falta é estímulos prazerosos, não é mesmo?!
Filmes, séries, redes sociais, delivery de comida, compras online, entretenimento, sexo a um clique de distância.
A psiquiatra Anna Lembke discute isso no livro Nação Dopamina. Ela explica que o excesso de estímulos prazerosos podem levar ao que se chama anedonia — a dificuldade em sentir prazer com as coisas simples da vida. Ela fala, inclusive, que nosso cérebro não está preparado para a quantidade exorbitando de prazer da qual somos expostos diariamente.
Ela nos provoca perguntando: qual é a sua droga de escolha? Ou seja, qual é a fonte de prazer que você usa com frequencia além da conta?
Confesso que no meu caso, a minha droga de escolha atualmente são as redes sociais e os vídeos curtos. Eu posso passar horas vendo isso.
Só pra deixar claro, eu não sou contra buscarmos prazer — ele é parte natural da vida e é o que nos mantem vivos. O problema surge quando transformamos o prazer no único objetivo e nos tornamos intolerantes a qualquer tipo de desconforto. E esse é um dos motivos pelos quais a procrastinação clínica – adiar tarefas desconfortáveis para fazer algo mais fácil e prazeroso – tem se tornado cada vez mais frequente nos consultórios.
Lembro que na minha adolescência, eu precisava esperar a minha música favorita tocar na rádio para poder ouvi-la e, nesse momento, eu tinha que aprender a tolerar o desconforto da espera. Hoje isso não existem mais. Eu tenho todas as músicas que eu quiser ao meu dispor a um click.
Dito isto… nós só poderemos ser felizes no simples, quando buscamos diminuir o consumo desenfreado de prazer e parar de evitar o desconforto. Não estou aqui romantizando o sofrimento, apenas reforçando que nos precisamos enfrentar a dor para ser mais feliz.
Se isso tá te chocando (já deixa um comentário pra eu saber) ^^.
Para romper esse ciclo precisamos reconhecer qual é a nossa droga de escolha, entender qual é a função dela em nossa vidas – trazer lívio, fuga – e decidir fazer um jejum completo ou parcial.
Agora eu te pergunto: qual o desconforto você tem evitado a todo custo? Um conversa difícil? Aprender algo novo? Diminuir o açucar? Começar uma atividade física? Lançar um projeto novo?
Lembre-se: por mais que doa, ela vai estar te deixando mais forte – mesmo que pareço o contrário no início.
Não é fácil buscar o equilíbrio, mas é possível e os resultados valem a pena: ser feliz no simples, clareza mental, satisfação pessoal. Se sentir satisfeita e grata com pequenas coisas do cotidiano.
Conseguir sentir o extraordinário no ordinário é a recompensa de uma rotina sem tantas anestesias.
Eu acho que vale a pena e você?
E lembre, se você não conseguir fazer isso sozinha, busque ajuda!
Agende uma Sessão de Terapia

Que lindo. É isso mesmo, você, como sempre, conseguindo externa através da sua escrita; nossos sentimentos, aqueles mais íntimos, que, normalmente, silenciamos.
Gratidão 🙏🏻🤍🤍🤍🤍🤍
Ahhh, que lindo, Paula! Gratidão pela nossa conexão (até rimou, né?!) <3