Hobbies e Saúde Mental – Como fazer o você ama te ajuda a ser mais feliz
Durante a minha adolescência, eu amava ouvir música, dançar e me divertir, mas quando comecei a faculdade, eu acreditava que aquilo não poderia mais existir, pois eu precisava fazer o que adultos fazem: focar na minha carreira e ganhar dinheiro.
Então, assim que comecei a faculdade abandonei tudo o que era coisa de criança para assumir as responsabilidades de adulta.
E isso me custou caro: engordei quase 20kl e saí da faculdade sem me reconhecer.
Eu associava as atividades prazeirosas – hobbies – como perda de tempo ou até mesmo coisa de criança, mas eu estava completamente errada.
Em uma sociedade que transformou produtividade em identidade, fazer algo apenas por prazer se tornou quase um ato de resistência.
Vivemos cercados por metas, prazos, performance e comparação. Tudo precisa gerar resultado, retorno ou reconhecimento. Nesse cenário, o hobby parece perda de tempo. Mas ele é exatamente o contrário.
Hobby é uma atividade feita por prazer, sem obrigação de desempenho. É o espaço onde não precisamos provar nada. E isso tem um impacto direto na saúde mental.
Do ponto de vista psicológico, atividades prazeirosas ajudam a regular emoções e reduzir os níveis de estresse. Quando alguém pinta, dança, canta, cozinha, lê ou pratica um artesanato, entra em um estado de presença. A mente sai do ciclo da ruminação e da antecipação ansiosa. É quase um “reset” emocional. O corpo desacelera, o pensamento organiza.
Além disso, hobbies fortalecem a identidade. Muitas pessoas se resumem ao trabalho ou aos papéis que exercem: mãe, profissional, esposa, cuidadora. Poucas conseguem responder com clareza à pergunta: “Quem eu sou além do que eu produzo?”. O hobby resgata essa dimensão. Ele protege contra crises existenciais e contra o esgotamento crônico.
Há também um efeito importante na autoestima. Aprender algo novo por prazer ativa circuitos de recompensa no cérebro de forma saudável. É a dopamina da experiência, do envolvimento, da criação.
Na Terapia, sabemos que atividades prazerosas são base da Ativação Comportamental, abordagem utilizada no tratamento da depressão. Pequenas inserções semanais de atividades significativas já produzem mudanças no humor. Isso mostra que prazer não é superficial — é estruturante.
Um ponto importante: hobby não precisa virar negócio. Nem tudo que você ama precisa ser monetizado. Algumas experiências precisam continuar sendo só suas.
É comum que pessoas adultas abandonem hobbies ao longo da vida, priorizando demandas familiares e profissionais. Retomar arte, canto, movimento ou leitura é, muitas vezes, retomar partes esquecidas de si.
Quando abrimos espaço para o prazer, deixamos de viver apenas no modo sobrevivência. E começamos, de fato, a viver com presença.
Investir tempo em atividades aumenta a sua energia para focar em outras atividades.
Porque hobby não é perda de tempo. É necessidade emocional.
Veja abaixo a minha entrevista no Sem Censura Pará sobre esse tema:
